Nuvem era uma ovelhinha de lã branquinha e olhos atentos, que adorava correr pelos campos ao lado de sua mamãe. Mas nas últimas semanas, algo estava diferente.
Sempre que subia o morrinho onde costumava brincar, precisava parar para respirar. Sentia o peito apertado, como se carregasse uma mochila invisível. Às vezes suava sem estar no sol, e suas patinhas ficavam inchadas no fim do dia.
Uma noite, Nuvem acordou com o coração batendo forte demais e o ar parecia não querer entrar. — Mamãe, meu peito está cansado…
Sem perder tempo, a mamãe a levou ao pronto-atendimento da Colina Central. A enfermeira Estelinha passou a mão em sua testa: — Você chegou no lugar certo, pequena. Vamos cuidar bem do seu coração.
O doutor Cardino escutou seu peito com um aparelhinho gelado e explicou que o coraçãozinho dela estava trabalhando demais — como uma bomba que precisava de ajuda para empurrar o sangue pelo corpo. Por isso o cansaço, a falta de ar e as perninhas inchadas.
Nuvem ficou internada, com soro e exames. No começo, ficou apreensiva. Mas a mamãe ficou ao seu lado o tempo todo, segurando sua patinha e contando histórias do campo.
As enfermeiras vinham sempre com um sorriso, ajeitavam os travesseiros e traziam desenhos para colorir. Nuvem tomou remédios que ajudavam o coração a bater com mais força e a tirar o líquido que sobrava. Aos poucos, respirou melhor.
— Nuvem, sua melhora foi linda. Já podemos mandar você de volta pro campo com a mamãe — disse o doutor. Em casa, ela ganhou uma tabela de corações coloridos para marcar cada remédio.
E aprendeu que coragem também mora na calma — especialmente quando ouvia a voz da mamãe dizendo: — Estou aqui com você. Sempre estarei.
