Camalito era um camaleãozinho encantado que adorava escalar os galhos da floresta. Sua pele mudava de cor conforme seus sentimentos: alegre virava amarelo-sol; relaxado, verde-folha; preocupado, cinza-névoa.
Numa manhã diferente, Camalito acordou esquisito. Sentia a barriga pesada e, ao ir fazer xixi, sentiu uma ardência que fez sua cauda se encolher. — Ai… que estranho — murmurou.
Voltou a brincar, mas precisou ir ao banheiro de novo. E de novo. E outra vez. Cada ida deixava seu corpo mais cansado e sua pele mais pálida. Em casa, não quis comer; estava com os olhos opacos e o corpinho quente.
A mamãe pensou com o coração: — Isso não é só cansaço. Vamos até o hospital da floresta.
Lá, foi acolhido por enfermeiras corujas e pelo doutor Tamanduá, que examinou sua barriga e pediu um exame de urina. — Camalito está com uma infecção urinária. Por isso a ardência, a febre e a falta de apetite. Vamos cuidar com antibiótico, hidratação e repouso. Ele vai precisar ficar internado por alguns dias.
Camalito ficou um pouco assustado. Mamãe Camaleoa segurou sua patinha com ternura: — Eu estou aqui com você, meu amor. Mesmo quando precisar sair rapidinho, meu coração está do seu lado. Camalito sorriu e sua pele virou rosado-quente — a cor do amor.
Durante a internação, as enfermeiras davam os remédios na hora certa, faziam cócegas nos pezinhos e contavam histórias. Mamãe Camaleoa deixava bilhetinhos no travesseiro: “Se eu não estiver com olhos, estou com o coração!”
A ardência sumiu, a febre cedeu, a barriguinha não doía mais. Camalito aprendeu a beber muita água e a avisar sempre que sentisse algo diferente.
No dia da alta, vestia sua cor favorita: verde-esperança com pintinhas douradas. — Mesmo quando você saiu, eu sentia que você estava aqui. Seu amor ficou comigo o tempo todo — disse à mãe, voltando para casa com o coração leve.
