Na beira de um rio calmo, cercado pela floresta dos Ipês Dourados, vivia um patinho chamado Pipo. Ele adorava nadar e correr atrás das borboletas. Mas, nos últimos dias, sua pele estava vermelha, ressecada e coçava muito — tanto que ele nem conseguia dormir.
Pipo tentava esconder as feridinhas com folhas e evitava nadar com os amigos. — Será que sou diferente? Será que nunca vou melhorar? — pensava, escondido atrás de um tronco.
Dona Patolina o levou ao Hospital das Águas Claras. Foi recebido pelo Doutor Lontra, de voz macia como espuma, e pela Enfermeira Tatu, de avental florido.
— Você tem dermatite atópica, Pipo. É uma inflamação da pele, que aparece quando ela fica sensível demais. Pode acontecer com frio, calor, sabão, perfume ou estresse. Mas com tratamento, você pode ter uma vida muito boa!
— Minha pele é feia… — dizia baixinho. A enfermeira Tatu respondeu: — Nada disso! Sua pele é como o céu: às vezes tem nuvens, mas logo vem o sol.
Durante a internação, Pipo aprendeu a usar cremes especiais, tomar banhos mornos e rápidos, vestir roupas de algodão e evitar se coçar. Dona Patolina cantava músicas antigas: — Você é lindo do jeitinho que é. E corajoso também.
A pele foi clareando, a coceira diminuindo e o sorriso voltando. — Pipo, você vai pra casa amanhã! — disse o doutor. De volta ao rio, quando perguntavam das marquinhas, ele respondia com orgulho: — Cada uma dessas estrelinhas na pele me ensinou a ser mais forte.
