Era uma vez um coelhinho chamado Bento, que vivia pulando pelos campos floridos. Mas num verão quente e chuvoso, acordou diferente: o corpo pesado, as patinhas doendo, os olhos sensíveis à luz e a cabeça tamborilando por dentro.
— Mamãe, meu corpo dói todinho… — disse baixinho. Dona Coelha encostou o focinho na testa dele: estava quente. Umas manchinhas vermelhas tinham aparecido atrás das orelhas e nas perninhas.
Preocupados, ela e Papai Coelho o levaram ao Hospital do Vale Tranquilo. O Dr. Coruja examinou com atenção. — Bento está com dengue. É uma doença causada por um mosquito que adora água parada, especialmente depois das chuvas.
— Ele pode nascer dentro da nossa própria toca — explicou —, em baldinhos esquecidos, pratinhos de planta, tampinhas de garrafa. É pequeno, mas muito esperto.
Nos dias seguintes, Bento ficou internado. Recebia soro e descansava. Dona Esquilo fazia cafuné enquanto media a temperatura; Senhora Raposa cantava canções suaves.
Mas Bento ficou ainda mais molinho: enjoo, sem apetite, barriga apertada. — São sinais de complicações da dengue — explicou o Dr. Coruja. — Precisamos cuidar com ainda mais atenção.
Dona Coelha dormia ao lado da caminha, segurando a patinha. Papai Coelho preparava sucos fresquinhos e palavras de encorajamento. As enfermeiras trocavam lençóis com delicadeza, como se ele fosse da família.
Aos poucos, a febre baixou, as manchinhas sumiram e o sorriso voltou. Quando recebeu alta, toda a ala bateu palminhas. Bento virou guardião da floresta: com sua capa e lupa, ensina os amigos a cobrir potes, virar pneus e manter o bosque limpinho.
